Na corrida por um remédio contra a o novo coronavírus, um medicamento tem recebido atenção especial, e saiu na frente no combate à Covid-19: o remdesivir, um antiviral que já foi utilizado para tratamento do ebola e da MERS (Síndrome Respiratória de Coronavírus do Oriente Médio). Na quinta-feira, 16 de abril, a farmacêutica americana Gilead, da Califórnia, divulgou os resultados iniciais de um estudo com a droga em pacientes graves com a Covid-19.

A Gilead informou que, em um grupo de 125 doentes em Chicago – 113 em estado grave –, todos receberam alta, depois de apresentarem rápida melhora no trato respiratório e redução de febre. Deixaram o hospital depois de apenas uma semana de tratamento. Todos eles apresentaram melhora do quadro da doença, embora dois tenham falecido. Um outro trabalho, cujos resultados foram publicados na respeitada revista científica New England Journal of Medicine (NEJM) também apontou boas respostas com o remdesivir. Um grupo de 53 pacientes afetados pela Covid-19 recebeu por via intravenosa 200mg do antiviral e, depois, foi tratado ao longo de dez dias com 100mg da droga.

Depois de dezoito dias, 68% dos enfermos apresentaram melhora na condição clínica – entre os trinta casos mais graves, que estavam sendo controlados por meio de ventilação mecânica, na UTI, dezessete tiveram recuperação completa, a ponto de deixar o quarto de tratamento intensivo. Do grupo inicial, treze pacientes morreram. Do ponto de vista médico, a estatística é muito promissora. Porém: “Não é possível ainda tirar conclusões definitivas, mas há um nítido caminho de avanços a partir dos resultados com esse grupo de teste”, disse o americano Jonathan Grein, de Los Angeles, um dos líderes da experimentação, em um comunicado distribuído pela Gilead, a empresa farmacêutica americana.

Há, ainda, desconfiança em torno da real resposta do organismo ao remdesivir nos casos de covid-19. “Os dados que constam do estudo são quase impossíveis de interpretar”, disse Stephen Evans, professor na London School of Hygiene and Tropical Medicine para a agência de notícias Bloomberg. Em poucas semanas haverá uma definição mais clara do poder do remdesivir, a medicação que, sem dúvida alguma, aparece hoje como talvez a mais promissora, entre as que abrem portas esperança na luta contra a Pandemia.